segunda-feira, 25 de julho de 2016

Edward, mãos de tesoura

Já ouviu falar? É o nome de um filme de 1990.

O personagem Edward, interpretado por Jonny Deep, é um ser de extrema nobreza, caráter, meiguice, gentileza e bondade. E que tem tesouras em vez de mãos.

Ao mesmo tempo que com as mãos de tesoura ele podia criar belíssimas esculturas nas plantas que podava, ele não era capaz de abraçar alguém sem ferir esse alguém. 
Ou seja: ele era incapaz de demonstrar afeto sem ferir.

Como meu marido.

Quando o conheci, eu o vi como um ser de alma muito bela, bondosa, meiga, sensível, e gentil.
Estudava ciências ocultas, preocupava-se com a evolução espiritual.

Ele gostava dos bichos.. E se importava verdadeiramente com eles... O modo com que ele era leal com seus amigos... Tudo isso me fazia admirá-lo mais e mais.

Porém... com mulheres... ele é o inverso.

Ele é cruel, frio, grosseiro, gosta de submetê-las a sua autoridade, é pouco compreensivo, pouco cooperativo, pouco carinhoso, folgado, xinga de nomes feios por muito pouco... 
Todo mundo tem um pouco disso, mas no caso dele é a regra.

Claro que errei muito no relacionamento, nas brigas... falei alto... disse coisas das quais me arrependo até hoje...

Mas eu quis de verdade que nosso casamento desse certo: cuidava de meu marido, da comida, das roupas, das cachorras, da casa... fiz as reformas... Fui companheira para sair, para viajar...

Porém ele... ele ia se distanciando cada vez mais... cada vez mais isolado no seu mundo, me abandonando num canto qualquer o final de semana inteiro, como se estivesse desistindo de tudo... fazia coisas que machucariam qualquer uma, como beijar a cachorra pela manhã e não a esposa...

E se eu reclamasse, ele se isolava mais, ficava mais grosseiro, mais frio, mais distante...

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Por que estou escrevendo tudo isso?
Porque o sujeito foi tão grosseiro outro dia... que não tenho nem mais vontade de entrar em contato perguntando como ele está.

Não sei ao certo se ele fez de propósito ou se fez sem pensar... 
Acho que foi de propósito. 
Ninguém é tão lesado assim a ponto de não perceber quando está sendo grosso. 

O sujeito parece um poço de ódio, de coisa ruim, pois dispara chateação a todos os lados, e em todos os momentos. Ele não vê que ele faz mal a ele mesmo - já que fica fácil esquecer uma pessoa dessas...

Sabe?
Ele sofreu um acidente sério. 
E me sinto mal por não entrar em contato para saber dele. 
Seja como for, vivi 7 anos com ele. Tenho consideração por ele.
Acredito que ele esteja bem, que o pior já passou.

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A psicóloga me disse no final de 2015:
"Você precisa ponderar o quanto de sofrimento consegue aguentar em nome desse amor, porque seu esposo não vai mudar. Ele foi criado assim, é o sistema dele. E depois, ele nem parece preocupado em mudar".

Eu me lembro que isso foi duro de ouvir. Tive raiva dela. 
E também me lembro que duvidei. 
Pensei: "você vai ver, você está errada. Ele é uma pessoa sensível, ele se importa sim comigo e com nosso filho".

Passaram-se uns 8 meses... E tudo o que ela disse se confirmou.

Ele não lutou pela nossa família, pela nossa união, me trata cada vez pior, ele não veio ver o filho...
Como admirá-lo, depois disso? Se ele ainda me explicasse... tentasse alguma coisa, sentasse para conversar... "olha, estou puto com você porque você fez isso, isso e isso".

Mas não... o cara só sabe disparar tiros, ferir, chutar... distanciar.

Eu não espero mais aqueles relacionamentos românticos... já passei dessa fase.
Mas porém esperava sim um relacionamento responsável.

Até achei legal quando ele me disse certa vez: "eu te aturo e você me atura". 
Depois de um tempo, é mais ou menos por aí mesmo! rsrsrs!
Umas grosserias vão existir mesmo.

Porém eu o aturava com muito amor e muito gosto!
Eu o amava muito! Seus defeitos, inclusive.
Tava bom!

Mas depois que ele abandonou a nossa família... que papel, né?

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Hoje eu e meu filho ficamos caminhando no jardim do centro. Eu o apoio com um pano. 
Isso foi pela manhã. Depois, ele queria empurrar o carrinho. Nunca tinha feito isso. 
O povo parava na rua para ver!

À tarde fomos a pé lá no cara da água de coco. 

Que sono...